A LINGUAGEM E OS TIPOS DE DISCURSOS
Num texto devemos distinguir a linguagem do narrador, que é o contador da estória, e a linguagem das personagens, que são as pessoas que tomam parte na estória, agindo, dialogando, sentindo, desabafando, expõem suas ideias. Quando um narrador conta o que elas disseram, insere na narrativa, uma fala que não é de sua autoria, cita o discurso alheio.
A linguagem do narrador é caracterizada pela norma culta. Já na linguagem da personagem, o fundamental é que haja uma adequação da forma linguística com a personagem ( seu meio cultural, sua situação de momento, posição social, etc). Há três maneiras de reproduzir a fala das personagens: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre.
Em um texto narrativo, o autorhttps://sites.google.com/site/iozglar/ pode optar por três tipos de discurso: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre. Não necessariamente estes três discursos estão separados, eles podem aparecer juntos em um texto. Dependerá de quem o produziu.
DISCURSO DIRETO
Neste tipo de discurso as personagens ganham voz. É o que ocorre normalmente em diálogos. Isso permite que traços da fala e da personalidade das personagens sejam destacados e expostos no texto. O discurso direto reproduz fielmente as falas das personagens. Verbos como dizer, falar, perguntar, entre outros, servem para que as falas das personagens sejam introduzidas e elas ganhem vida, como em uma peça teatral.
Travessões, dois pontos, aspas e exclamações são muito comuns durante a reprodução das falas.
Ex.
“O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira lá na língua dele – Chente! que vida dura esta de gua xinim do banhado!…”
“- Mano Poeta, se enganche na minha garupa!”
O doutor Fábio, em frente de sua mesa de trabalho, ar cansado, com grande simpatia, perguntou -me :
— O que você deseja?
Respondi-lhe prontamente;
—Desejo um lugar na expedição.
As marcas do Discurso direto são :
ü a fala das personagens e, em princípio, anunciada por um verbo ( dizer, retrucar, retorquir, afirmar, exclamar, indagar, mandar, ordenar, pedir, perguntar, responder, etc);
ü a fala das personagens aparece separada da fala do narrador, por aspas, dois pontos, travessão, vírgula;
ü os pronomes pessoais, os tempos verbais e as palavras que indicam espaço e tempo ( por exemplo, pronomes demonstrativos e advérbios de lugar de lugar e de tempo) são usados em relação `a pessoa da personagem, ao momento em que ela fala e ao espaco em que ela esta: a personagem diz eu, o espaço em que ela se encontra e o aqui e o tempo agora.
DISCURSO INDIRETO
O narrador falando pela personagem.Ele conta a história e reproduz a fala, e reações das personagens. É escrito normalmente em terceira pessoa. Nesse caso, o narrador se utiliza de palavras suas para reproduzir aquilo que foi dito pela personagem.
“Elisiário confessou que estava com sono.”(Machado de Assis)
“Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cálculo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o tivesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imaginava podiam ser onze horas.” (Lima Barreto)
O Doutor Fábio, em frente de sua mesa de trabalho, ar cansado, com grande simpatia, perguntou -me o que eu desejava ?
Respondi-lhe prontamente que desejava um lugar na expedição.( O.B. Mott)
As principais marcas do discurso indireto são:
ü as falas das personagens também vêm introduzidas por um verbo de dizer;
ü as falas das personagens constituem ora ç ão subordinada substantiva objetiva direta do verbo dizer e, portanto, são separadas da fala do narrador por uma partícula introdutória, normalmente que ou se:
Ex: Elisiário confessou que estava com sono.
ü os pronomes pessoais, os tempos verbais e as palavras que indicam tempo e espaço ( como os pronomes demonstrativos e advérbios de lugar e de tempo) são usados em relação ao narrador, ao momento em que ele fala e ao espaço em que está.
DISCURSO INDIRETO LIVRE
E o narrador reproduzindo o pensamento da personagem. O texto é escrito em terceira pessoa e o narrador conta a história, mas as personagens têm voz própria, de acordo com a necessidade do autor de fazê-lo. Sendo assim é uma mistura dos outros dois tipos de discurso e as duas vozes se fundem.
Ex.
“Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respiração presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um momento em que esteve quase… quase!”
“Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qualquer urubu… que raiva…” (Ana Maria Machado)
“D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que estar catando defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” ( Graciliano Ramos)
As características do discurso alheio são:
ü não há verbos de dizer anunciando a fala das personagens;
ü elas não são introduzidas por particulas como o que ou se nem separadas por sinais de pontuaç ão;
ü o discurso indireto livre contém , como o discurso direto, oracões interrogativas, imperativas e exclamativas, bem como interjeicões, e outros elementos expressivos;
ü os pronomes pessoais e demonstrativos, as palavras indicadoras de espaço e tempo são usadas da mesma forma que o discurso indireto. Por isso, o verbo ocorre no pretérito imperfeito ( estava, perguntava, etc.). O pronome demonstrativo ocorre na forma aquilo como no discurso indireto.
EXPLICANDO
Na passagem do discurso direto para o indireto se nota algumas modificações na linguagem:
Pedro disse:
—Eu estarei aqui de manhã.
A persoangem diz eu; o aqui e o lugar em que a persoangem está; amanhã e o dia seguinte ao dia em que ela fala.
Passando para o discurso indireto: Pedro disse que estaria lá no dia seguinte. O eu passa a ele porque alguém de quem o narrador fala; estaria e futuro do pretérito: e um tempo relacionado ao pretérito da fala do narrador(disse), e não ao presente da fala da personagem, como estarei; lá é o espaco em que a personagem ( e não o narrador) havia de estar; no dia seguinte é o dia em que vem após o momento da fala da personagem designada por ele.
Observe o seguinte:
A passagem do discurso direto para o indireto tem a forma interrogativa, exclamativa, ou imperativa convertidas, no discurso indireto, em orações declarativas.
Ela me perguntou:
- Quem está aí ?
Ela me perguntou quem estava lá.
As interjeicões e os vocativos do discurso direto desaparecem no discurso indireto ou tem seu valor semântico explicitado, isto é, traduz-se o significado que eles expressam.
O papagaio disse:
—Oh! Lá vem a raposa.
O papagaio disse admirado ( explicitação do valor semântico da interjeição oh!) que ao longe vinha a raposa.
Se o discurso citado ( fala da persoangem) comporta um eu ou um tu que não encontram entre as pessoas do discurso citante ( fala do narrador), eles são convertidos num ele; se o discurso contém um aqui que não corresponde ao lugar em que foi proferido o discurso citante, ele e convertido num lá.
Pedro disse lá em Paris:
- Aqui eu me sinto bem.
Eu ( pessoa do discurso citado que não se encontra no discurso citante ) converte-se em ele; aqui (espa ço do discurso citado que é diferente do lugar em que foi proferido o discurso citante ) transforma-se em lá:
Pedro disse que lá ele se sentia bem.
No que se refere aos tempos, o mais comum é que o verbo esteja no presente ou no pretérito perfeito. Quando um verbo de dizer estiver no presente e o da fala da personagem estiver no presente, preterito ou no futuro do presente, os tempos matêm-se na passagem do discurso direto para o indireto. Se o verbo estiver no pretérito perfeito, as alteracões que ocorrem na fala da personagem são as seguites:
DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO
PRESENTE → PRETÉRITO
preterito perfeito → pretérito mais que perfeito
futuro do presente → futuro do pretérito
Ex: Joaquim disse:
— Compro tudo isso.
Joaquim disse que comprava tudo aquilo.
Joaquim disse:
— Comprei tudo isso.
Joaquim disse que comprara tudo aquilo.
Joaquim disse:
— Comprarei tudo isso.
Joaquim disse que compraria tudo aquilo.
O imperativo, o presente e o futuro do subjuntivo passam ao imperfeito do subjuntivo.
Ex:
— Faça o exercício! - O professor mandou que ele fizesse o exercício.
— Espero que faça o exercício. - O professor disse que esperava que ele fizesse o exercíco.
— Avise-me quando fizer o exercício, o professor pediu que ele o avisasse quando fizesse o exercício.